A ligação entre os Destemidos Limonadas & Punkecas e Kid Vinil já existia quando Nicchio conheceu Roberto Limonada. O baixista dos Destemidos era amigo de longa data de Kid e, ao conhecer o repertório da banda, Kid enxergou em “Ela Só Gosta de Pizza” uma música capaz de marcar uma nova fase. Ele incorporou a composição ao repertório de Kid Vinil e Verminose, enquanto também fazia nos shows uma versão de “O Posto”.
Foi dentro desse contexto que, em 1993, Roberto Limonada levou Nicchio ao Café Piu Piu, no Bexiga, para assistir a Kid Vinil e Verminose. Nicchio já havia ido a uma grande apresentação de pop — Roxette, acompanhado da então namorada —, mas aquela noite ficou em sua memória como o primeiro show de rock que sentiu verdadeiramente como parte do mundo que estava descobrindo.
A experiência atravessou a madrugada, aproximadamente das 22h às 5h, com três entradas de bandas. Roberto levou Nicchio também ao camarim, onde pôde observar Kid de perto em uma estética punk que permaneceria gravada em sua memória: roupa punk, coturno verde-musgo de aparência quase vinílica, cadarços vermelhos e uma composição visual que Nicchio recorda como tendo algo de soviético. No palco, Kid misturava repertório próprio e referências como Ramones, incluindo “Suzy Is a Headbanger”.
Naquela fase, “Ela Só Gosta de Pizza” já fazia parte do repertório de Kid. Meses depois daquele show, em 1993, Kid Vinil e Verminose apareceram no Programa Livre, de Serginho Groisman, no SBT, apresentando uma versão mais punk rock da música como uma das grandes novidades de sua reaparição na mídia. Kid também faria participações em shows dos Destemidos, reforçando publicamente a ligação entre os dois projetos.
Registros da apresentação de Kid Vinil e Verminose no Programa Livre, de Serginho Groisman, no SBT, em 1993.
Antes do lançamento de um novo álbum, “Ela Só Gosta de Pizza” já havia circulado como single e tocado nas rádios rock de São Paulo. Em 1995, Kid Vinil lançou Xu-Pa-Ki, com a música entre as dez faixas do disco, consolidando em álbum um percurso que havia começado anos antes no circuito paulistano.
Para Nicchio, aquela madrugada no Café Piu Piu funcionou como um rito de passagem. O que Roberto vinha apresentando em conversas, discos, rádio e televisão se tornou experiência física: palco, camarim, público, estética e repertório. Em pouco tempo, esse mesmo circuito deixaria de ser apenas algo observado de fora e passaria a receber também o próprio Coitado do Próximo.