Cultura BBS
Nicchio foi usuário intenso de BBS como SP Online/STI e Mandic. Esse período marcou seu primeiro contato prolongado com comunidades digitais, navegação por menus, troca de arquivos, mensagens e cultura de rede antes da popularização da web comercial no Brasil.
Em paralelo, criou a Minduim BBS, uma experiência pessoal construída com o software RemoteAccess e duas linhas telefônicas. O projeto era experimental e não comercial.
Transição para a internet comercial
A migração da BBS para a internet foi contínua. A partir de 1996, Nicchio passou a usar acesso comercial por meio da STI, a mesma empresa que anteriormente lhe fornecia acesso a BBS. A experiência de rede deixou de estar restrita ao universo dos bulletin boards e passou a acompanhar a expansão da própria internet comercial brasileira.
PSINet: Hosting Corporativo. A "Bolha Ponto Com" vista de dentro.
Em junho de 2000, Marcelo Nicchio começou a trabalhar na PSINet, uma multinacional de infraestrutura e conectividade que atravessava o auge — e logo o colapso — da bolha ponto-com. Sua ligação com a empresa, porém, era bem mais antiga: começara como usuário da SP Online, ainda na época das BBS.
De usuário de BBS a funcionário
Por volta de 1993, Nicchio utilizava a SP Online, posteriormente STI BBS e STI Internet. Em 1994 ou 1995, chegou a visitar a empresa na Avenida Nove de Julho, em São Paulo, por curiosidade e na tentativa de conseguir patrocínio para seu programa de rádio. Em 1999, Alexandre Godoi, tecladista de sua banda, já trabalhava na STI em Alphaville.
Naquele mesmo ano, a norte-americana PSINet comprou a STI Internet, depois de adquirir outros provedores brasileiros. A estratégia era formar rapidamente uma operação nacional de redes, hospedagem e serviços corporativos. Em novembro de 1999, anunciou planos de investir US$ 500 milhões em infraestrutura no país, além dos gastos com novas aquisições.
Godoi apresentou Nicchio ao gerente comercial Rogério Carulli, que o contratou em 1º de junho de 2000. Nicchio passou a vender servidores dedicados e compartilhados, hospedagem, acesso empresarial e linhas privadas de dados. O trabalho começou em Alphaville e continuou depois em Tamboré. A passagem pela empresa durou até 2 de maio de 2001, quando pediu demissão.
A migração de usuário entusiasta para profissional da internet aconteceu dentro de uma estrutura construída para crescer. Publicidade, serviços empresariais e uma rede de aquisições sustentavam expectativas de expansão. Ainda assim, os sinais de crise do setor começaram a chegar ao próprio escritório.
A bolha ponto-com em dois indicadores
Em março de 2000, as ações da PSINet haviam alcançado aproximadamente US$ 60 na Nasdaq. O estouro da bolha e as dificuldades de uma empresa que havia investido pesadamente em expansão aceleraram a desvalorização. No começo de 2001, a cotação se aproximava de alguns centavos.
Quando os telefones começaram a silenciar
O gráfico revela um lado da crise. O outro estava no atendimento comercial. Antes movimentados, os telefones foram tocando cada vez menos. Não aconteceu de um dia para o outro: a procura diminuía gradualmente, mas a estrutura da companhia permanecia preparada para o crescimento. O contraste ganhou uma dimensão pessoal no relato de Nicchio.
O fim de um ciclo
Em 3 de abril de 2001, a Nasdaq suspendeu a negociação das ações da PSINet, que estavam próximas de US$ 0,19; a retirada formal veio em 27 de abril. Nicchio deixou a empresa em 2 de maio. Em junho, a matriz norte-americana buscou a proteção judicial do Chapter 11. A operação brasileira anunciou seu encerramento em 20 de agosto de 2001.
A experiência reúne dois pontos de vista raramente presentes numa mesma história: o de alguém que acompanhou a transformação das primeiras BBS brasileiras em provedores comerciais e o de um funcionário que viveu por dentro o colapso de uma multinacional da internet. As quedas na Nasdaq eram números; o silêncio dos telefones era a crise transformada em rotina.
Na página própria, o relato integral apresenta a cronologia das aquisições, os serviços corporativos, a rotina da equipe, a sequência da crise e os registros fotográficos preservados. Aqui fica a síntese do episódio — com o depoimento, o gráfico e as imagens que ajudam a compreendê-lo.
Mirantte News: produto digital, aquisição e a descoberta de Search
O Mirantte News era um guia de produtos e serviços que ia além de um mecanismo regional de busca. Empresas selecionadas contratavam planos anuais que combinavam destaque na home, indexação em uma das cerca de vinte categorias do portal e um hot-site próprio, com fotografias profissionais, logotipo, contatos, matéria produzida pela jornalista Tatiana Cavalcanti e recursos de geolocalização e rotas desenvolvidos em parceria com a MapLink/UOL.
Marcelo Nicchio conduzia o projeto em sociedade com Luiz Kechichian, proprietário do Grupo Mirantte. A operação era enxuta: além de Nicchio, a equipe chegou a reunir um webmaster, um profissional comercial e uma auxiliar administrativa.
À medida que os contratos se acumulavam, porém, surgiu um problema central: tráfego. O volume orgânico do portal não era suficiente para alimentar de maneira equilibrada todas as categorias e entregar a exposição esperada aos anunciantes.
Foi nesse contexto que um contato da MapLink intermediou, por Skype, uma conversa entre Nicchio e Tiago Luz, um dos profissionais pioneiros de Search Marketing no Brasil, então radicado em Curitiba. A solução discutida era objetiva: adquirir tráfego para as categorias com maior concentração de anunciantes, incorporando esse custo ao próprio modelo comercial do portal.
As primeiras campanhas de aquisição funcionaram e foram mantidas por alguns meses. Ainda assim, o modelo econômico do Mirantte News tornou-se progressivamente difícil de sustentar. A operação foi reduzida e transferida para home office, permanecendo Nicchio e o webmaster Renato Carriel. Mais tarde, o projeto mudou de posicionamento e passou a abranger a cidade de São Paulo sob o nome Procure SP, mas acabou encerrando suas atividades.
O projeto terminou; o problema que ele havia apresentado, porém, abriu uma nova direção profissional. Search permaneceu.
Profissionalização em Search Marketing (2008)

Em 2008, Nicchio começou a administrar de maneira intuitiva e autodidata contas de pequeno porte de Google AdWords, entre elas um restaurante típico na Marginal do Tietê, um estúdio de yoga, um serviço de buffet, um ateliê de pintura e uma corretora de seguros. Eram operações pequenas, mas permitiram experimentar diretamente estrutura de campanhas, palavras-chave, segmentação, custos e retorno.
Ainda naquele ano, conheceu a profissional carioca Louise Martins durante uma visita dela a São Paulo. Em uma cafeteria, Louise abriu o notebook e mostrou uma operação de AdWords em uma escala que Nicchio ainda não havia encontrado: uma conta de grande porte, estruturada simultaneamente para diferentes países. A dimensão daquela operação causou forte impressão. Search deixava de parecer apenas uma solução aprendida para resolver um problema do Mirantte e passava a se apresentar como um campo profissional muito maior.
Pouco depois, Louise seria personagem da reportagem “Com a grife do Google”, publicada pela revista INFO em julho de 2008, sobre a então pequena e disputada comunidade de profissionais certificados como Google Advertising Professional — GAP. INFO Exame nº 269 · jul. 2008 ↗

A experiência reforçou a decisão de Nicchio de entrar profissionalmente no campo. Em 2009, matriculou-se em uma das primeiras turmas do curso de Google AdWords da Goobec, criada em 2008 como primeira parceira oficial do Google na América Latina para treinamentos. Durante a imersão, ministrada por João Dalla, conheceu outro aluno: Herik Mourão. Histórico da Goobec ↗
Depois do curso, continuou administrando pequenas contas enquanto estudava intensamente a documentação técnica disponibilizada pelo Google para anunciantes e profissionais ao longo de 2009.
Agência Clickland Digital
Em agosto de 2012, Nicchio fundou a Clickland Digital Ltda. com Carlos Portela, voltada a Search e mídia para pequenas e médias empresas. A agência funcionou paralelamente a outras passagens profissionais e se apresentava como “Premium Search Agency”, com ênfase em Search, ROI, métricas, multicanal e Web Analytics.
As atividades comerciais regulares diminuíram posteriormente, mas a empresa permanece ativa como estrutura operacional e de apoio. A Clickland faz parte da continuidade da trajetória, sem representar hoje a atividade profissional principal de Nicchio.
Petlove: internalização de mídia (em escala)
Na Petlove, Nicchio foi contratado para internalizar a operação de mídia digital. Montou estrutura, equipe e processos e ampliou a escala operacional de aproximadamente 150 mil para 3 milhões de palavras-chave distribuídas em três contas.
Foi uma passagem centrada na construção de uma operação interna de mídia e na expansão de escala de performance.
BEST / Kenshoo: Search + Social + tecnologia
Em 2014, Nicchio atuou como Gerente de Performance na BEST, em uma operação ligada à plataforma Kenshoo no Brasil. O trabalho envolvia onboarding da ferramenta e otimização de campanhas de mídia para grandes varejistas.
Na prática, esse ciclo aproximava duas frentes que aparecem juntas no trabalho de performance: a adoção da tecnologia e a operação cotidiana das campanhas. O onboarding da Kenshoo fazia parte da mesma rotina em que Search e Social eram acompanhados e otimizados para contas de grande porte, colocando plataforma, mídia e desempenho dentro de um único fluxo de trabalho.
Em 11 de novembro de 2014, das 9h às 12h, ministrou no E-Commerce Brasil o workshop “Segmentação em Google Adwords e Facebook Ads - Melhores Práticas, Melhor ROI”. A gravação preservada está dividida em quatro partes e documenta diretamente o repertório profissional daquele ciclo em segmentação, Search, tecnologia e operação de mídia.
No dia seguinte, 12 de novembro de 2014, também das 9h às 12h, Nicchio ministrou no E-Commerce Brasil um segundo workshop, “Facebook Ads: Melhores Práticas, Melhor Conversão”. Um post contemporâneo recuperado do BEST Blog, publicado em 14/11/2014, registra o evento e o identifica como Gerente de Performance da BEST. A apresentação original preservada cobre objetivos de campanha, métricas, segmentação, Custom Audiences, Lookalike Audiences, Website Custom Audiences e pixel de conversão.
O arquivo do BEST Blog preserva ainda “Conheça o Glossário da Mídia Online (ROI, CPC, CTR...) Parte 1”, publicado em 08/12/2014 e atribuído a Marcelo Nicchio. O registro acrescenta uma frente editorial/técnica ao período, documentando conteúdo sobre métricas, conversão e conceitos de mídia online.
Além dos vídeos, o arquivo visual reúne 13 registros do período, incluindo fotografias do workshop, cartão profissional, imagens do escritório e os dois posts recuperados via Web Archive. O conjunto ajuda a situar visualmente uma etapa curta, mas representativa, da trajetória em Performance.
Ad.Dialetto / Máquina de Vendas
Na Ad.Dialetto, Nicchio assumiu a operação da conta da Máquina de Vendas / Ricardo Eletro. A missão envolveu reconstruir uma equipe e trabalhar com orçamento mensal da ordem de R$ 1 milhão, orientado por ROI por categoria.
Operações independentes
Entre 2016 e 2020, Nicchio atuou em projetos de mídia digital e performance para diferentes empresas e segmentos. Esse período manteve a continuidade operacional fora de uma única estrutura de agência.
Driven.cx
Em 2023, Nicchio voltou a uma operação de agência em tempo integral e remota na Driven.cx, onde permaneceu até 2024. A passagem encerra, por enquanto, a sequência cronológica principal desta vertical profissional.
Uma linha contínua: de redes a performance
A trajetória não começa com Google Ads. BBS, internet comercial, hosting e produto digital antecedem a especialização em SEM e ajudam a explicar por que Search, Social, analytics e mídia de performance aparecem como evolução de uma relação anterior com redes, sistemas online, audiência e comportamento.








